quarta-feira, setembro 11, 2013

João Batista Damasceno: Vandalismo e Black Blocs

João Batista Damasceno: Vandalismo e Black Blocs

Criminalizar os movimentos sociais é o primeiro recurso da elite dominante. Quando a ordem jurídica não o admite, o Estado o faz ilegalmente

O DIA
Rio - A palavra ‘vandalismo’ é uma das poucas que sabemos onde e quem a usou pela primeira vez. Padre Grégoire, deputado influente na Constituinte francesa e membro da Convenção, período da Revolução que antecedeu o Diretório e a ascensão de Napoleão Bonaparte, a escreveu em 1794. Nos relatórios, Grégoire estigmatizou “o vandalismo e a violência revolucionária do populacho que destrói patrimônio”. O termo foi usado correntemente depois da decapitação de Robespierre, a quem a alta burguesia dizia ser “vandalista que se infiltrou entre nós”. A comissão especial instituída para investigação dos atos de vandalismo, nominada de ‘Comissão dos Monumentos’ ou ‘Comissão de Instrução Pública’, tinha o objetivo de apurar e denunciar a “barbárie” e os “vândalos” como forças hostis. Além de apontar a violência dos revolucionários como nociva, inventariou “os prejuízos resultantes da venda de bens nacionais” pela aristocracia.
Ninguém se propõe a fazer apologia de destruições, mas foram os comportamentos radicais, patrióticos e cívicos dos ‘sans-culottes’, trabalhadores pobres e considerados “classe perigosa” pela grande burguesia francesa, que ensejaram as transformações políticas das quais o mundo hoje se orgulha.
O poder constituído, na defesa dos interesses que não os do povo, criminaliza os movimentos sociais. Em ‘Comentários sobre a Primeira Década de Tito Lívio’, Maquiavel escreveu que “Os que criticam as contínuas dissensões entre os aristocratas e o povo parecem desaprovar justamente as causas que asseguraram fosse conservada a liberdade de Roma, prestando mais atenção aos gritos e rumores provocados por tais dissensões do que aos seus efeitos salutares. Não querem perceber que há em todos os governos duas fontes de oposição: os interesses do povo e os da classe dominante. Todas as leis para proteger a liberdade nascem da sua desunião”.
Criminalizar os movimentos sociais é o primeiro recurso da elite dominante. Quando a ordem jurídica não o admite, o Estado o faz ilegalmente.
Doutor em Ciência Política pela UFF e juiz de Direito. Membro da Associação Juízes para a Democracia

quinta-feira, setembro 05, 2013

De que lado vc está? Sobre a greve dos professores.

Publicado em 09/04/2013
Nesta segunda, 02/09/13, O Globo publicou sua opinião sobre a greve dos professores das redes municipal e estadual do Rio de Janeiro. Como era de se esperar, criticou o movimento e o que chamou de corporativismo dos professores que são contra a meritocracia.
Vale ressaltar que o jornal publicou tal opinião no mesmo dia em que o prefeito do Rio deu uma entrevista em um programa de TV e um desembargador classificou a greve como irregular, determinando que os professores voltassem ao trabalho em até 48 horas – santa coincidência.
A crítica do jornal é cheia de pressuposições, contradições e equívocos e ilustra bem qual é a sua proposta para a educação pública brasileira. O texto começa dizendo que a greve está “pautada, mais uma vez, por reivindicações salariais — ainda que outras questões, não econômicas, mas adjacentes à Educação, tenham, como sempre, encorpado a pauta de “lutas” da categoria”.
Primeiramente, no caso da rede municipal, a luta se mantém apesar dos ganhos salariais já prometidos por Paes durante as negociações. O que é chamado de “questões adjacentes” pelos supostos jornalistas é considerado primordial para educadores e estudiosos: a prefeitura descumpre lei federal de 1/3 de carga horária para planejamento; condições de trabalho (salas superlotadas e falta de infraestrutura) e concepções de educação (contra a meritocracia e a mercantilização da educação pública).
Acabamos de sair de um momento onde as mobilizações nacionais clamavam por melhor educação. O salário dos profissionais da educação é um ponto chave para a concretização destas demandas. O rendimento inicial de um professor da rede municipal do Rio, uma das cidades mais caras do mundo, é quase 4 vezes menor do que o de um burocrata do judiciário e 20 vezes menor do que o dos juízes que declaram as greves de educadores ilegais.
Em países como a França ou a Espanha, a relação de ganho inicial professor/juiz não passa de 1 para 3. Nesta situação, é normal que a principal pauta de reivindicação dos trabalhadores seja a salarial. O Globo esbanja hipocrisia no discurso que defende melhor educação, desde que com professores calados e mal pagos.
Na opinião do jornal esta greve “é um movimento que não desfaz os verdadeiros nós da Educação”, pois “os problemas do ensino público são mais abrangentes”. É óbvio! Este é um movimento dos trabalhadores da educação por melhores condições de vida e trabalho para uma categoria que, apesar de sua importância, é a mais mal paga do país.
Não é uma proposta de revolução na educação. Se os professores não conseguem convencer certos políticos a pagá-los dignamente, a cumprir leis e acordos já sacramentados, quanto mais resolver “os verdadeiros nós da educação”. Este argumento, além de ingênuo, reproduz um ideal bastante difundido na sociedade brasileira de que o professor é um salvador, um herói que deve se sacrificar e resolver os problemas da sociedade por meio da idolatrada educação.
Mudar o sistema de ensino e o valor dado à educação no país é uma atribuição de toda a sociedade e não de uma categoria de profissionais. E, se os governos, a Justiça e a mídia corporativa se opõem a todo e qualquer movimento dos profissionais de educação fica ainda mais difícil.
O Globo diz que alunos ficam “reféns do movimento” de um mês, quando, na verdade, os sequestradores são os sucessivos governos que não aplicam o mínimo constitucional em educação; que mantêm escolas funcionando como depósitos de gente; que desviam verbas públicas de educação para contratar empresas e instituições privadas como a Fundação Roberto Marinho, a fim de que estas implementem seus projetos de concepções pedagógicas e qualidade duvidosos.
Por fim, chamar a crítica à meritocracia de corporativismo é sinal de uma miopia grave ou uma estratégia discursiva canalha de persuasão. Em todo o mundo, uma série de estudos demonstra o equívoco que representa a meritocracia na escola pública. Esta proposta se associa a um movimento de culpabilização do professor que legitima a contratação de consultorias a peso de ouro que prometem resolver o problema da educação e nunca o fazem. Não se trata de corporativismo, mas de uma outra concepção de mundo e de educação.
A crítica à meritocracia considera que, acima de tudo, crianças não são produtos e que o conhecimento é construído e processual. Logo, qualquer iniciativa que classifique alunos e professores por meio de provas externas vai auferir apenas o desempenho pontual com base em certos critérios. Não avalia o desenvolvimento do ensino e do aprendizado, ou seja, o que alunos e professores construíram de conhecimento no processo.
Como os alunos partem de patamares diferentes e é impossível medir de quanto foi a contribuição de um professor ou de outro no desempenho do aluno, a medição e a remuneração maior ou menor de profissionais com base em seus resultados, propostas pelas políticas meritocráticas, é extremamente injusta. Logo, ao invés de corporativismo, trata-se de mais uma luta contra as inúmeras injustiças por que passam os professores na sociedade brasileira.
Link para o texto de O Globo: http://oglobo.globo.com/opiniao/alem-do-corporativismo-9766376
Link para a resposta da direção do sindicato: http://oglobo.globo.com/opiniao/fraude-na-educacao-9766388
*Professor de geografia da rede pública.

terça-feira, agosto 13, 2013

O ÓBVIO PRECISA SER DITO. (1° PARTE)

Caros amigos divulgo, novamente, o artigo que enviei para Tribuna de Debates do 13° Congresso do PCdoB, que foi publicado nesta segunda dia 12 de agosto de 2013.

Por mais que esteja fora do alcance das gerações atuais e das próximas gerações deste século, trabalhamos para que um dia a sociedade comunista se torne realidade. Esta possui apenas referências gerais sem nenhuma elaboração mais profunda ou desenvolvida sobre o que seria esta inédita experiência política, econômica, cultural, social e jurídica, definida por Marx como uma sociedade sem classes, sem estado, sem hierarquia, sem exploração do homem pelo homem. Uma ilação possível e inicial seria a exigência mínima de instituições com essa perspectiva e um elevado grau de consciência do ser humano em sua fase adulta.
O caminho para chegar neste elevado grau de vida econômica, política e social é o socialismo e nós, engenheiros sociais contemporâneos, não saberemos com antecipação como será, quando, em quanto tempo, em que data ou em que período ocorrerá. Dito isto, é preciso resgatar a compreensão do caráter de transitoriedade do sistema socialista para nós comunistas, ou seja, não é o fim em si mesmo e sim um caminho, uma transição, um lugar de passagem do capitalismo para o comunismo, com fases, etapas, transições, recuos e avanços. Como sistema de transição ainda guardará uma sociedade dividida em classes, com todas as consequências deste conceito, o que acentua a necessidade e a clareza de um novo bloco histórico, uma nova hegemonia política e ideológica, uma nova maioria para um novo poder político de estado que de conta desta transição.
O movimento comunista internacional viveu sua primeira experiência prática na Rússia e logo expandiu sua força para os países vizinhos, constituindo assim a URSS, hoje extinta. Logo após, processos revolucionários se seguiram na Europa Oriental, na Ásia, na África e nas Américas, todos sem exceção entenderam a questão nacional no seu tempo histórico, souberam identificar qual era o curso político, econômico, cultural, social e jurídico de suas respectivas nações, desencadeando processos de luta política para atingir a ruptura com o velho sistema (colonialismo) e dar inicio a transição da velha para nova ordem (modernidade).
Este período estava contextualizado pela ação imperialista e pelo processo de descolonização com consequente formação das “condições modernas”, ou seja, estado moderno, economia nacional, industrialização, burguesia nacional, operariado, proletariado e demais instituições próprias da modernidade.
Naquela fase do desenvolvimento capitalista (civilização ocidental) conceber duas etapas para revolução era coerente e consequente com o momento, pois construir as condições modernas significava uma revolução para as ex-colônias e ao mesmo tempo poderia constituir contradições entre as nascentes burguesias nacionais com as burguesias imperialistas. Neste curso surgiram processos de conteúdo pró-socialista, mas também processos de conteúdo pró-capitalista.   
No final do século XX presenciamos a queda da URSS e dos países do leste estabelecendo o fim da Guerra Fria, iniciando o período da Globalização (hegemonia do capitalismo), com a unipolaridade norte americana. No embalo da era do conhecimento e da revolução tecnológica, o Imperialismo estadunidense impõe a abertura das fronteiras econômicas, nas nações em desenvolvimento, para livre circulação do capital estrangeiro produtivo e ou especulativo. No caso brasileiro, além de derrubar barreiras para livre circulação, foram realizadas privatizações de empresas estatais estratégicas, quebra de monopólios, associações de empresas nacionais ou bancos com capital estrangeiro entre outras medidas.
O processo de internacionalização das economias promoveu fusões, formação de oligopólios, aumentou ainda mais a concentração da riqueza em poucos países e as burguesias nacionais não assumiram nenhum papel de contestação dessa ordem ou muito menos conduziram movimentos de defesa de suas respectivas soberanias, na verdade defenderam e se incorporaram ao processo de integração internacional, deixando claro que sua perspectiva é da maximização do acumulo de capital e por consequência do lucro na disputa de mercado externo, com foco na competitividade e não mais do desenvolvimento das nações. O movimento geral foi muito claro, desmonte do Estado nacional na parte econômica, comercial, financeira e em alguns casos até mesmo militar.
Em nosso país é muito fácil de demonstrar tal opção na produção agrícola (agronegócio), altamente mecanizada, industrialização de ponta, voltada para o mercado externo, sem nenhuma demonstração de preocupação com desenvolvimento da nação, apenas para disputar o mercado internacional, privatizações de áreas estratégicas para qualquer desenvolvimento nacional soberano, entre outras medidas. Este rumo no Brasil foi bancado pelo PSDB, DEM e PMDB.           
Iniciamos o século XX com a corrida pela construção das condições da modernidade capitalista em disputa com as condições da modernidade socialista, o concluímos com a hegemonia do capitalismo. Iniciamos o século XXI com uma crise no capitalismo de proporções inimagináveis, exponencialmente muito maior do que a de 1929, crise que atinge o coração do sistema capitalista. Não é uma crise de um só país, é uma crise geral, mas atinge o principal centro de maior poder econômico, político e militar do mundo, os EUA. Esta crise aponta para uma mudança na política mundial. Já é possível vislumbrar o fim da unipolaridade norte-americana e a multipolaridade se estabelecendo no jogo internacional, o que seria muito positivo para as nações em desenvolvimento, mas ao mesmo tempo uma bomba relógio em função das políticas protecionistas dos grandes centros do capital.
Não esta na ordem do dia a revolução socialista simultânea, assim como também não há indicativos de revoluções nos grandes centros capitalistas. É preciso observar as condições concretas de cada país na luta da velha ordem coma nova ordem, onde sinais de ruptura estão em desenvolvimento. No inicio do século XX a luta pela soberania se materializava na construção dos elementos que a constituem. A luta hoje não é pela construção dos elementos da soberania. É preciso dizer com muita clareza o que é lutar pela soberania hoje, para ter claro o que será possível conquistar nos marcos do sistema capitalista. A natureza da atual crise do capitalismo não permitirá alternativas fora de seu escopo.



sexta-feira, agosto 02, 2013

O TIRO MAIS CARO DO RIO: A AFRODISCRIMINAÇÃO DE NOSSAS LUTAS

Importante para reflexão.

O TIRO MAIS CARO DO RIO: A AFRODISCRIMINAÇÃO DE NOSSAS LUTAS

Os tiros que atingiram a sede do Afroreggae nesta quinta-feira, não só atingem a luta pela pacificação da cidade, mas ferem a todos nós que encaramos no cotidiano a face mais perversa desses dois lados cruéis: uma polícia corrupta e que criminaliza a pobreza e, por outro lado, o traficante frio e calculista que não poupa nem mesmo sua própria comunidade.
Não devemos, de forma nenhuma, desejar que o Afroreggae seja desestabilizado porque amanhã pode ser nossa vez. Aliás, eu já passei por algo semelhante e sei o quanto dói ser ameaçado.
Entretanto, ao ler no Jornal O Dia desta quinta (01/08/13) que o Afroreggae recebeu R$3,5 milhões da Secretaria Municipal de Cultura fiquei estarrecido. Ou li errado ou os militantes de cultura do Rio de Janeiro não têm munições suficientes para exigirem do Secretario de Cultura do Rio, Sérgio Sá Leitão, uma explicação plausível sobre o por quê desse tratamento especial ao Afroreggae. Será que nós também não somos alvejados? Por que essa afrodiscriminação de nossa luta? Será que o Complexo da Maré não merecia o mesmo tratamento após a chacina de junho último?
Por isso que não atiro mais, vivo em paz sendo cronista social.

Caio Ferraz
Sociólogo, poeta e ativista de direitos humanos

quarta-feira, julho 10, 2013

Não chegamos ao paraíso


"...Têm sido apontados com frequência como principais desafios para a educação brasileira resultantes da nova posição que o país vem alcançando nos últimos anos no cenário político mundial o aumento do nível de escolarização da população e a melhoria do desempenho dos alunos.
Nos últimos anos, o Brasil conseguiu diminuir de forma significativa o número de famílias que vivem em condição de extrema pobreza. Segundo dados do Instituto de Pesquisas Econômicas Avançadas (IPEA ), a proporção da população brasileira vivendo abaixo da linha de pobreza está em forte queda desde 2003. Contudo, o país permanece sendo apontado como um dos mais injustos do mundo. De acordo com o Relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano (PNUD) , divulgado em julho de 2010, o Brasil tem o terceiro pior índice de desigualdade no mundo. A distância entre pobres e ricos em nosso país permanece abismal, comparando-se com países como Haiti e Tailândia. Essas desigualdades se refletem diretamente na educação. ..." Professora Dalila Andrade Oliveira - UFRJ.

Embora existam pontos que necessitariam ser um pouco mais desenvolvidos, é uma ótima reflexão. Não chegamos ao paraíso. Essa ficha ainda não caiu para alguns.

terça-feira, julho 09, 2013

OUTONO BRASILEIRO

Esta talvez seja uma das sínteses possíveis para começar a entender o significado do OUTONO BRASILEIRO.

quinta-feira, julho 04, 2013

PARICIPANDO do DEBATE na RÁDIO MANCHETE.

Debate na Rádio Manchete, quarta (26), sobre as manifestações no Brasil e no Rio de Janeiro.

quinta-feira, junho 27, 2013

O perfil do manifestante

Antes de qualquer adjetivação ou carimbo nas manifestações é importante conhecer seu perfil. Pesquisa* realizada pela Comunicação Interativa e Plus Marketing, pode nos dar informações iniciais para alguns ensaios mais consistentes sobre as manifestações que ocorrem em nosso país. Vamos aos números.
A média de idade foi de 28 anos. Este cidadão ou cidadã em 1992, no Impeachment do Collor, tinha sete (7) anos de idade. Quando Lula foi eleito pela primeira vez, em 2002, este mesmo cidadão ou cidadã tinha dezessete (17) anos. Supondo que estes jovens tenham se alistado eleitoralmente aos dezesseis anos, é possível começar a construir uma primeira hipótese para reflexão. Esta geração não viveu as grandes mobilizações da década de 80 e 90, ou seja, não viu e nem participou da luta contra a ditadura, não viu nem participou das manifestações pelas Diretas já, não viu nem participou das mobilizações da Constituinte de 1988, não viu nem participou das mobilizações da primeira eleição livre e direta de 1989, não viu e nem participou das lutas contra as privatizações. Esta geração começou a ter contato com as ebulições da sociedade brasileira no final do segundo mandato de FHC e a primeira eleição de Lula.
Cabe ressaltar desde Já a questão da média de idade, quanto mais baixa for, mais distante fica essa geração dos episódios indicados. Estes, só tiveram contato pelos livros escolares.
A primeira eleição de Lula trazia a carga das lutas pela redemocratização e a bandeira da ética na política. A geração que hoje toma as ruas inicia o exercício de sua cidadania neste momento.
Outra caraterística importante foi o instrumento de circulação da informação e de mobilização. Oitenta por cento (80%) soube da manifestação pelas redes sociais na internet, desses, noventa por cento (90%) se informou sobre a passeata no Facebook.
Nas bandeiras que surgiram a divisão ficou assim: 34,8% Passe Livre, 21,8% contra corrupção, 18,4% melhorias na educação, 16,6% melhorias na saúde e 8,4% contra a PEC 33 e 37.
Não sou responsável pelos resultados da pesquisa e também não conheço as metodologias utilizadas, mas como eu estive presente nas manifestações avalio que os números não estão muito longe da realidade. Não estou publicando uma analise completa nem muito menos concluída, apenas primeiras impressões.
Vem mais por ai: O que esta em jogo?, Reforma política: Qual e como?, Vandalismo, Democratização dos Meios de Comunicação, Disputa pelos rumos do movimento, movimento tradicional x movimento horizontal, entre outros assuntos instigantes. Vamos às ruas.
*pesquisa realizada na manifestação de 20 de junho de 2013 no Rio de Janeiro.

Rio de Janeiro, 27 de junho de 2013

quinta-feira, maio 02, 2013

100% dos ROYALTIES para EDUCAÇÃO


Agora eu quero ver ficar só no discurso. Senadores e deputados vão ter que aprovar. E vai ter que aprovar esse ano. Se jogar para depois de 2014 é golpe de 500 picaretas. Essa pode ser a bandeira com capacidade de mobilização popular deste ano.SaudaçõesVamos a luta.

segunda-feira, dezembro 31, 2012

Feliz Ano Novo


Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.

FELIZ 2013, com ESPERANÇA RENOVADA e RUMO CERTO.

O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.

sexta-feira, outubro 26, 2012

O artigo de FHC e as eleições 2012 – 2°parte



A polarização PT x PSDB marcou os últimos 16 anos o processo eleitoral brasileiro. O PT, com o discurso da herança maldita dos tucanos, construiu alianças e acumulou vitorias eleitorais que deram novo contorno ao quadro partidário no país.
Pelos dados publicados pelo ESTADÃO*, o PSDB, ainda que eleja todos seus candidatos no 2°turno das eleições de 2012, já sairá menor do que entrou. Com 791 prefeituras em 2008, elegerá  no máximo 709.   Confirmado o resultado de SP favorável ao PT a derrota ganhara mais peso, maior simbolismo diante da tática moralista dos tucanos, explicitada “brilhantemente” por FHC em seu artigo. Se a pretensão era manter a polarização com PT nacionalmente e principalmente na capital de SP, o tiro pode ter saído pela culatra. Está polarização pode não se reproduzir em 2014, porém muita agua vai passar por baixo dessa ponte. Os tucanos ainda não enxergaram que esta tática ajuda mais ao PT do que a oposição. Em SP é mais fácil derrotar o PSDB no 2°turno do que o PRB e o PT enxergou isso.  
O DEM não precisa ser analisado com profundidade, os números falam por si. De 496 prefeituras conquistadas em 2008, só elegera 276 em 2012, no máximo. Outros partidos da oposição de direita também reduziram o numero de prefeituras em 2012.
A novidade da eleição é o crescimento do PT, PSB e PCdoB, principalmente do PSB. Continua...

*http://estadaodados.com/html/eleicoes2012/#titulo

segunda-feira, setembro 10, 2012

O artigo de FHC e as eleições 2012 - 1°Parte


Fiquei refletindo sobre o artigo de FHC, atacando a herança do governo LULA, publicado no jornal O Globo e no Estadão, semana passada, e sobre a resposta da Presidente Dilma. Minha indagação do por que FHC teria assumido tal papel, começou a encontrar respostas não no artigo em si, mas na tentativa de interpretação do texto, examinar melhor sobre as entrelinhas e  o sentido geral do fato.
Observando o quadro das eleições nas capitais, em particular de São Paulo, é fácil perceber porque FHC entrou na disputa aumentando o grau de ataque ao PT.
Em SP, o crescimento de Russomanno (PRB), o crescimento de Haddad  (PT) e a queda de Serra(PSDB) apontam uma tendência dos TUCANOS estarem fora do 2°turno, ou seja, fora da disputa da principal capital do país. Outra observação interessante é o quadro das disputas nas outras capitais. Onde o PSDB disputa para ganhar?
A politica nacional, nos últimos 18 anos, esteve marcada pela polarização tucanos x petistas. As eleições municipais de 2012 começam a desenhar um novo quadro politico, uma nova polarização.
Uma vez se confirmando as tendências das pesquisas no dia 07 de outubro, a polarização não será mais com o PSDB e sim com os partidos da base de sustentação.
Ainda que PSDB e DEM elejam prefeituras pelo país, a derrota nos principais centros políticos cria as condições para construção de outro eixo de polarização. Pela esquerda o crescimento do PSB, do PCdoB e do PDT, não incomodará apenas a direita, mas também ao próprio PT. A polarização PSDB x PT interessa aos tucanos, assim como interessa também ao PT. Continua...

domingo, setembro 09, 2012

Na capital tem peso 2

Está outra matéria publicada no portal do PCdoB, recentemente, é bastante ilustrativa para o Estado do Rio de Janeiro que pode ter um resultado expressivo no geral, mas ficar a desejar na capital. Não podemos nos bastar com um único vereador, seja quem for. Nosso objetivo deve ser continuar pela busca da ampliação da bancada, nossa chapa tem condições para isso. Nesta reta final a autofagia não vai ajudar ao partido. Recomendo, pelo menos, essa parte extraída do texto original.  

"...Em todo o país, a projeção do Partido é a eleição de mil vereadores. Nas capitais, a perspectiva é que os candidatos comunistas conquistem até 50 mandatos. O dirigente afirma que o objetivo da legenda é eleger no mínimo um vereador em cada capital. O número pode chegar a quatro em cidades como Salvador (BA), Fortaleza (CE), São Luís (MA), Recife (PE), Porto Alegre (RS) e São Paulo (SP). “As capitais têm uma importância particular pelo papel que jogam na política local. Isso aumenta a capacidade do PCdoB nesses grandes polos políticos.”

Walter faz um apelo para a importância do momento e atual e conclama o coletivo partidário – dirigentes, militantes e candidatos – a participarem ativamente do processo eleitoral em curso. “Esses trinta dias de campanha é que definem esse futuro porque o povo ainda não está suficientemente concentrado nas eleições de vereadores. Esse esforço é basicamente de mobilizar a militância e os apoiadores para que desenvolvam um amplo trabalho de corpo a corpo em torno dos votos dos vereadores. Nada substitui o trabalho militante e o PCdoB é uma força combativa, unida e presente nos movimentos sociais.”..." 

PCdoB vê perspectivas favoráveis nas eleições em capitais - PCdoB. O Partido do socialismo.

PCdoB vê perspectivas favoráveis nas eleições em capitais - PCdoB. O Partido do socialismo.
Essa matéria tb me chamou a atenção.

Metas do PCdoB para 2012


terça-feira, março 27, 2012

Educação para uma nova sociedade


Educação para uma nova sociedade*

23 de março de 2012 às 11:02
Da implantação da República, em 1889, até a Constituição Federal, em 1988, o avanço da escola pública no Brasil não foi contínuo, pois esteve marcado pelo fardo da escravidão e pelos traços de uma sociedade patrimonialista. Assim, em quase cem anos de República, a educação permaneceu prisioneira das condições de produção e reprodução do subdesenvolvimento nacional.Até a década de 1940, por exemplo, as possibilidades de inclusão dos filhos de negros na escola pública eram quase nulas, tanto assim que a parcela significativa dos analfabetos do país do início do século XXI possui mais de 55 anos de idade e não são brancos. Ao mesmo tempo, a apropriação patrimonialista do Estado por estritos segmentos sociais transformou a boa escola pública em quase exclusividade de reprodução de uma elite branca, sem conceder possibilidades para a universalização do acesso a toda população.Com a aprovação da Constituição Federal após a transição da ditadura militar (1964 – 1985) para o atual regime democrático, a educação pública ganhou relevância. Mas isso se deu associado à necessária garantia de recursos orçamentários, o que permitiu rapidamente ao país alcançar a universalização do acesso ao ensino fundamental.Neste novo contexto constitucional de estruturação do Estado de bem-estar social no Brasil, assistiu-se ao avanço da cobertura social para praticamente todos os segmentos vulneráveis da população, como crianças e adolescentes (Estatuto da Criança e Adolescente – ECA), idosos e portadores de necessidades especiais (reconfiguração do sistema de aposentarias e pensão), pobres (programas de transferências de renda, como o Bolsa Família), desempregados (seguro desemprego), entre outros. Com isso, os indicadores sociais passaram a apontar melhoras inegáveis, não obstante os enormes constrangimentos impostos pelo predomínio das políticas neoliberais desde o final da década de 1980.Os avanços sociais não foram, contudo, plenos. O segmento juvenil, por exemplo, permaneceu à margem, sendo somente mais tardiamente objeto de maior intervenção de políticas públicas. Mesmo assim, de forma parcial e incompleta, a começar pelo programa Agente Jovem do final dos anos 1990, passando pelo fracasso do programa Primeiro Emprego do início da década de 2000, até chegar ao mais estruturado programa governamental Pró-Jovem.Tendo em vista o enorme desafio atual de conceder maior atenção à problemática da inclusão juvenil no Brasil, torna-se fundamental a temática educacional, especialmente aquela atinente às condicionalidades que afetam a trajetória das condições de vida do segmento social de 16 aos 24 anos de idade. Inicialmente, percebe-se que, dos 29,3 milhões de jovens na faixa de 16 a 24 anos de idade, somente 32,4% mantinham-se afastados do mercado de trabalho no ano de 2008. Deste universo de 9,5 milhões de jovens inativos, 59% somente estudavam, enquanto 41% não estudavam, não trabalhavam e nem procuravam trabalho (3,9 milhões).A maior parte dos jovens de 16 a 24 anos encontrava-se ativa no interior do mercado de trabalho (19,7 milhões), sendo 16,7 milhões ocupados e 3 milhões na condição desempregados (15,2%). Dos que trabalhavam, somente 31,7% estudavam (5,3 milhões), indicando que a maior parte que se encontra ocupado não consegue estudar (11,4 milhões). No caso dos desempregados, 40% frequentavam escola (1,2 milhão) e 60% não estudavam (1,8 milhão).Resumidamente, constata-se que, da população de 16 a 24 anos de idade, somente 11,8 milhões (40,2%) estudavam em 2008. Deste universo, 47,5% (5,6 milhões) não trabalhavam nem procuravam trabalho (inativos), 44,9% (5,3 milhões) estavam ocupados e 10,2% (1,2 milhão), desempregados. Em relação aos jovens que não frequentavam escola (17,5 milhões), 65,1% trabalhavam (11,4 milhões), 22,2% não trabalhavam e nem procuravam trabalho (3,9 milhões) e 10,3% estavam desempregados (1,8 milhão). Para os 29,3 milhões de jovens na faixa de 16 a 24 anos de idade, a renda média familiar per capita era de R$ 512,70 ao mês em 2008.Mas para os jovens inativos que só estudavam, a renda média familiar per capita era de R$ 633,20 ao mês (23,5% superior à renda média). Já para os jovens inativos que não estudavam, a renda média familiar per capita era de somente R$ 309,60 ao mês em 2008 (39,6% inferior à renda média). No caso dos jovens ocupados que estudavam a renda média familiar per capita era de R$ 648,70 ao mês em 2008 (26,5% superior à renda média). Os jovens ocupados que não estudavam registraram renda média familiar per capita era de R$ 492,20 ao mês em 2008 (4% inferior à renda média).Por fim, entre os jovens desempregados que estudavam a renda média familiar per capita era de R$ 486,80 ao mês em 2008 (5,1% inferior à renda média), enquanto para os jovens desempregados que não estudavam a renda média familiar per capita era de R$ 320,20 ao mês em 2008 (37,6% inferior à renda média). Neste quadro, parece não haver dúvidas que a trajetória educacional do segmento de 16 a 24 anos de idade encontra-se diretamente vinculada ao nível de renda.Quanto menor a renda per capita familiar, maior a dificuldade de continuar ativo na educação. Não obstante os avanços necessários em termos de universalização do acesso educacional relativo ao ensino médio e superior, bem como a elevação da qualidade do ensino, há o tema estruturante da desigualdade de renda. Sem resolver isso, os discursos em favor da educação podem continuar sendo apenas retórica, sem efetividade para a totalidade dos jovens brasileiros.
*Artigo de Marcio Pochmann

quinta-feira, novembro 03, 2011

BOCA de BRASA

Gregório de Matos Guerra (Salvador, 23 de dezembro de 1636 — Recife, 26 de novembro de 1695), alcunhado de Boca do Inferno ou Boca de Brasa, foi um advogado e poeta do Brasil Colônia. É considerado o maior poeta barroco do Brasil e o mais importante poeta satírico da literatura em língua portuguesa, no período.
A alcunha boca do inferno foi dada a Gregório por sua ousadia em criticar a Igreja Católica, muitas vezes ofendendo padres e freiras.
A pretenção é fazer deste espaço um espaço crítico e aberto para participação de todos.
Aqui não terá censura.
saudações
JC Madureira

sábado, novembro 27, 2010

NOVA CARA. Você decide.

Este blog vai passar por mudanças. A primeira delas é seu título ou nome. Vocês escolherão qual das duas. A sugestão que faço é uma justa homenagem a Gregório de Matos pelo seu espírito crítico e satírico.
A alcunha de boca do inferno ou boca de brasa, já sintetiza sua personalidade e seus escritos.
Gregório nasceu numa família com o poder financeiro alto em comparação a época, empreiteiros de obras e funcionários administrativos (seu pai era português, natural de Guimarães). Legalmente, a nacionalidade de Gregório de Matos era portuguesa, já que o Brasil só se tornaria independente no século XIX.

Em 1642 estudou no Colégio dos Jesuítas, na Bahia. Em 1650 continua os seus estudos em Lisboa e, em 1652, na Universidade de Coimbra onde se forma em Cânones, em 1661. Em 1663 é nomeado juiz de fora de Alcácer do Sal, não sem antes atestar que é "puro de sangue", como determinavam as normas jurídicas da época.

Em 27 de janeiro de 1668 teve a função de representar a Bahia nas cortes de Lisboa. Em 1672, o Senado da Câmara da Bahia outorga-lhe o cargo de procurador. A 20 de janeiro de 1674 é, novamente, representante da Bahia nas cortes. É, contudo, destituído do cargo de procurador.

Em 1679 é nomeado pelo arcebispo Gaspar Barata de Mendonça para Desembargador da Relação Eclesiástica da Bahia. D. Pedro II, rei de Portugal, nomeia-o em 1682 tesoureiro-mor da Sé, um ano depois de ter tomado ordens menores. Em 1683 volta ao Brasil.


Frontispício de edição de 1775 dos poemas de Gregório de Matos.O novo arcebispo, frei João da Madre de Deus destitui-o dos seus cargos por não querer usar batina nem aceitar a imposição das ordens maiores, de forma a estar apto para as funções de que o tinham incumbido.

Começa, então, a satirizar os costumes do povo de todas as classes sociais baianas (a que chamará "canalha infernal"). Desenvolve uma poesia corrosiva, erótica (quase ou mesmo pornográfica), apesar de também ter andado por caminhos mais líricos e, mesmo, sagrados.

Entre os seus amigos encontraremos, por exemplo, o poeta português Tomás Pinto Brandão.

Em 1685, o promotor eclesiástico da Bahia denuncia os seus costumes livres ao tribunal da Inquisição (acusa-o, por exemplo, de difamar Jesus Cristo e de não mostrar reverência, tirando o barrete da cabeça quando passa uma procissão). A acusação não tem seguimento.

Entretanto, as inimizades vão crescendo em relação direta com os poemas que vai concebendo. Em 1694, acusado por vários lados (principalmente por parte do Governador Antônio Luís Gonçalves da Câmara Coutinho), e correndo o risco de ser assassinado é deportado para Angola.

Como recompensa de ter ajudado o governo local a combater uma conspiração militar, recebe a permissão de voltar ao Brasil, ainda que não possa voltar à Bahia. Morre em Recife, com uma febre contraída em Angola. Porém, minutos antes de morrer, pede que dois padres venham à sua casa e fiquem cada um de um lado de seu corpo e, representando a si mesmo como Jesus Cristo, alega "estar morrendo entre dois ladrões, tal como Cristo ao ser crucificado".
Fonte Wikipédia

segunda-feira, setembro 13, 2010

Propaganda Eleitoral de JC Madureira, 6569, Deputado Federal veiculada na TV.


Assista, na íntegra, a propaganda de JC MADUREIRA veiculada na TV durante o Horário Eleitoral no, sábado, dia 11 de setembro de 2010.

LINDBERG recomenda MADUREIRA, 6569, para Deputado Federal.


Encontro entre os candidatos à SENADOR LINDBERG, 131, e à DEPUTADO FEDERAL MADUREIRA, 6569, ocorreu na praia de Copacabana durante ato público pró DILMA para as eleições 2010.

LANÇAMENTO DA CANDIDATURA 2010

MADUREIRA - Deputado Federal 6569 from Maverick Multimidia on Vimeo.

Assista, na íntegra, ao evento de lançamento da minha candidatura para DEPUTADO FEDERAL e veja as minhas propostas para dar VOZ À EDUCAÇÃO em Brasília e contribuir para o crescimento e democratização da educação e do ensino de qualidade no Brasil.

terça-feira, setembro 07, 2010

Salas vazias. Por quê? 1º parte

Neste mês de setembro, com base na minha experiência de sala de aula, professor do ensino medio da rede pública estadual, vou comentar os principais problemas e as principais propostas para o setor.

No Globo de domingo, 5 de setembro, li a matéria sobre a queda no número de matrículas no ensino médio na rede pública estadual do Rio de Janeiro. Como postei antes, muita gente fala de educação sem saber do riscado ou manipula informção de forma grosseira e eleitoreira.

O centro da matéria é a situação do ensino médio no Estado do Rio de Janeiro, direcionando seu conteúdo para polarização das ideias de Cabral e Gabeira para melhorar o quadro abordado. Achei por bem organizar as ideias expressas pelo jornalista para quem sabe buscar uma outra interpretação. Afinal, é livre a manifestação de ideias e pensamentos.

Quero chamar atenção para o segundo parágrafo da matéria onde está explicito a tendência nacional de queda, de 5,6% em média, nas matrículas do ensino médio, como bem ilustra o gráfico publicado. Por que isso acontece? Existem diversas razões. Uma delas, também expressa no jornal, é o fluxo educacional ao longo das séries, ou seja, taxa de repetência e aprovação. Quanto maior a repetência no fundamental, menor será o número de jovens habilitados para o ensino médio. Outra característica nacional do fato é a queda da natalidade em nosso país, diminuindo o número de crianças para ir à escola, conseqüentemente diminuindo o número de jovens ingressando no ensino médio. Não poderíamos esquecer do alto crescimento do ensino privado a partir de 1996, com a liberalização da exploração comercial do ensino, o supletivo e agora o ensino à distância que oferece a certificação de conclusão em menor tempo do que o ensino regular. Bom, tudo isso tem como uma das conseqüências o esvaziamento do ensino médio regular no sistema público.

Por que no Estado do Rio este fenômeno atingi as proporções denunciadas na matéria? Bom, primeiro espero ter ajudado a entender que o problema está no nosso sistema educacional e não localizado no Estado do Rio de Janeiro. Segundo é preciso analisar outros fatores, específicos do nosso Estado, que agregados a esta tendência nacional aprofundam este problema. Começarei por listar alguns para posteriormente escrever sobre eles. O vencimento do professores não é satisfatório, a violência urbana, a exigência do mercado de trabalho por mão de obra, são algumas hipóteses que precisam de análise mais cuidadosa.

Em ano de eleição é facil afirmar que educação é fundamental, é estratégica, é o futuro da nação, etc, etc e etc, ainda mais quando as pesquisas apontam como um dos temas mais sensíveis do eleitorado. Logo, todos os marketeiros de plantão e até mesmo os velhos oportunistas orientam suas propagandas de radaio, tv ou qualquer outro meio de comunicação para “importância” da educação, ai começa a xaropada, a vala comum.

Eleja alguém da educação, alguém que conheçe a realidade da escola, alguém que conheçe o caminho das pedras.

sexta-feira, agosto 27, 2010

Ibase: educação lidera reivindicações de jovens sul-americanos

Juventude da América do Sul está mais escolarizada que as antigas gerações

A juventude sul-americana é mais escolarizada atualmente do que as gerações passadas. Essa é uma das constatações do estudo feito nos últimos três anos com jovens de seis países da América do Sul (Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Bolívia) pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), Instituto Polis e mais seis organizações parceiras. Os dados serão divulgados nesta quarta-feira. "Independente da faixa de escolaridade que você pegue entre jovens e adultos, os jovens são mais escolarizados, em maior proporção", afirmou à Agência Brasil a pesquisadora do Ibase, socióloga Patrícia Lânes, membro da equipe técnica geral da pesquisa. Sobre a religião, a percepção é que os jovens de hoje têm fé, mas não assumem uma religião. Acreditam em alguma coisa, mas não têm uma crença definida. De acordo com ela, houve um avanço em relação à escolaridade. "A gente conseguiu que as pessoas que estão no mundo hoje em dia sejam mais  escolarizadas". Apesar desse avanço, a educação continua aparecendo como uma das mais fortes demandas entre os jovens organizados, segundo o estudo, que será divulgado na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).
"A gente tem movimentos importantes de estudantes tanto no Brasil, como no Chile, Uruguai, Paraguai, na Bolívia também, reivindicando uma educação de melhor qualidade". No caso do Brasil, os jovens priorizam a questão do passe livre ou da meia passagem, como forma no transporte público. O mesmo ocorre nos movimentos de jovens do Paraguai. Já no Chile, Patrícia Lânes revelou que a maior luta é a favor de mudanças na legislação em relação à educação pública. A lista elaborada pelo Ibase e seus parceiros prioriza, ainda, reivindicações da juventude sobre cultura, segurança pública e respeito aos direitos humanos, meio ambiente, transportes, saúde,  moradia e participação. "São as demandas que aparecem com maior recorrência no estudo, quando a gente ouvia esses jovens organizados".
Outro aspecto de destaque na pesquisa sobre a juventude da América do Sul é a questão do acesso à internet, a chamada conectividade. Essas três características (escolaridade, religiosidade, acesso à internet) são comuns à atual geração de jovens, embora existam distinções entre jovens que moram em áreas urbanas e rurais, observou Patrícia. Segundo ela, a internet é um dado novo que faz parte de uma realidade que se impõe para quem já nasceu em um mundo que tem no computador uma ferramenta social e de trabalho, diferentemente do que ocorria com as gerações passadas. "O que vai mudar é o que eles estão entendendo como qualidade, independentemente do tipo de movimento", externou Patrícia. 
 
Portal Terra Educação

quarta-feira, agosto 18, 2010

Vox Populi: Dilma vai a 45% e está 16 pontos na frente de Serra

Com 45% das intenções de voto, a candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, abriu 16 pontos na liderança da corrida presidencial, segundo pesquisa Vox Populi divulgada nesta terça-feira (17) pelo Jornal da Band. Se a eleição fosse hoje, candidata petista venceria no primeiro turno, já que os adversários somados não ultrapassam as intenções de voto de Dilma.

Dilma teria 45% das intenções de voto, contra 29% do presidenciável tucano, José Serra, e 8% da candidata do PV, Marina Silva. Para levar a disputa primeiro turno, a quantidade de votos válidos contabilizados por um determinado candidato deve ser superior à soma dos votos obtidos pelos demais concorrentes.

Os demais candidatos não atingiram 1% das intenções de voto, 5% declararam voto branco ou nulo e outros 12% se disseram indecisos. A pesquisa estimulada, que mostra os nomes dos candidatos para os entrevistados, foi feita entre os dias 7 e 10 de agosto, após o primeiro debate entre presidenciáveis, realizado pela Band no dia 5 de agosto.

O instituto entrevistou 3 mil pessoas em 219 municípios de todos os Estados, incluindo o Distrito Federal e excluindo Roraima. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 22.956/10. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual para mais ou para menos.

Dilma também aparece na frente na pesquisa espontânea, com 32% das intenções de voto, ainda segundo a Vox Populi/Band/iG. José Serra aparece em segundo, com 18%, e Marina Silva em terceiro, com 5% das intenções de voto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não é candidato, foi citado por 3% dos entrevistados. Outros 6% disseram votar nulo ou branco e 34% não sabem em quem votariam.

CNT/Sensus: Dilma lidera intenções de voto com 41,6%

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, lidera a disputa eleitoral com 41,6% das intenções de voto, segundo a pesquisa CNT/Sensus divulgada hoje. O candidato do PSDB, José Serra, aparece em segundo com 31,6%, enquanto Marina Silva, do PV, vem na sequência com 8,5% das intenções de voto. Em quarto lugar está o candidato do PSTU, José Maria, com 1,9%, e em quinto, Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), com 1,7%.

Na pesquisa espontânea, Dilma também ficou na primeira colocação, com 30,4% das menções. Serra vem em segundo com 20,2%, seguido de Marina Silva com 5%, de Zé Maria com 3%, de José Maria Eymael com 1,5% e de Plínio com 1,3%.

Na simulação de segundo turno, Dilma ganharia com 48,3% dos votos contra 36,6% de Serra. Já contra Marina Silva, Dilma venceria o segundo turno da eleição presidencial com 55,7% contra 23,3% da candidata do PV. A rejeição da petista medida na pesquisa foi de 25,3%, enquanto a de Serra ficou em 30,8% e a de Marina Silva, 29,7%.

A sondagem entrevistou duas mil pessoas em cinco regiões do País e 136 municípios. A margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 21.411/10 em 29 de julho.

Madureira lança candidatura com grande ato político

No dia 21 de julho fizemos o lançamento da nossa campanha rumo à câmara federal. O evento, que ocorreu no nosso novo comitê, contou com a participação de cerca de 150 pessoas, amigos e militantes que se empolgaram com a perspectiva de elegermos um representante legítimo das lutas por melhorias na educação do nosso país.
Diversas lideranças do nosso estado estiveram presentes como a secretária de educação de Nova Iguaçu, Dilcéia Quintela, que falou sobre a importância de levantarmos a bandeira de mais educação e que ninguém melhor do que um professor para assumir esse compromisso. Alguns candidatos à dep. Estadual destacaram a importância da parceria que estamos construindo para darmos a Dilma uma grande vitória em nosso estado.
As entidades estudantis também estiveram presentes. Tanto Flávia Calé, Presidente da União estadual de estudantes, como Sophia Oliveira, Presidente da Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas lembraram da minha trajetória nas lutas estudantis e que essa tem tudo para ser uma campanha que vai mobilizar a juventude em torno das propostas que queremos implementar em Brasília.
Depois do lançamento, vamos arregaçar as mangas e dialogar com a sociedade sobre os problemas e as possíveis soluções para o nosso sistema educacional, pois não há desenvolvimento sem educação!!!
Venha com a gente, visite o nosso comitê!!!!
Pça Tiradentes 10, 29 andar- tel. 22429865

O Brasil precisa de mais educação

A eleição de 2010 definirá a continuidade ou o retrocesso nas mudanças estruturais iniciadas pelo governo LULA com a nova política de desenvolvimento nacional com valorização do trabalho. Porém, nenhum projeto de desenvolvimento se sustentará sem investimento maciço em educação.
Hoje o Brasil cresce e se desenvolve, mas, para continuar nesse rumo precisará de jovens, homens e mulheres, qualificados para assumir as oportunidades criadas por esse novo ciclo.
Nosso sistema educacional é o lugar para gerar essa qualificação, mas, para cumprir esse papel , será necessário mudá-lo.
Dois fatos importantes apontam neste sentido: A realização da conferência nacional de educação e a nova regulamentação da exploração do petróleo com a descoberta do pré-sal.
O centro da conferência foi a construção de um sistema nacional articulado, regulamentação do ensino privado, valorização dos profissionais, formação inicial e continuada e o financiamento do sistema para os próximos dez anos.
Com a descoberta do pré-sal é imperativo garantir na nova regulamentação, sem redução das receitas já existentes, o financiamento necessário para aumentar a qualidade do ensino em todos os níveis.
Os profissionais da educação e a juventude, unidos com outras categorias profissionais, precisam eleger Dilma presidente e parlamentares comprometidos com essa causa.

Entrevista publicada no jornal CBT educação RJ*

Esta minha entrevista foi publicada em abril no jornal da CTB educação/RJ, no mês de abril.
Quando a educação vai ser prioridade de fato?

É preciso analisar as políticas publicas que estão em curso no país e comparar com o que foi realizado nos outros governos. Da redemocratização até os dias de hoje, entendo que na era Lula essa prioridade foi um fato real, concordem ou não com as políticas encaminhadas. Posso citar algumas iniciativas: Reuni, construção de novas escolas técnicas, construção de novas universidades, piso nacional do magistério, reserva de vagas, cotas para negros, etc. Nestes oito anos de governo Lula o tema central é o desenvolvimento nacional, porém o que precisa ficar claro para todos é que não existe desenvolvimento sem investimento na educação.


O que precisa ser feito para melhorar a educação?

Articular todos os níveis do ensino brasileiro, da alfabetização ao ensino superior, e consolidar uma política educacional de Estado para União, estados e municípios. Aumentar a verba destinada para educação. Valorizar a profissão (ser) e o profissional (exercer). Há uma grande expectativa para que essas diretrizes, aprovadas na CONAE, se tornem políticas publicas de fato.

Agora é sentar e esperar, simples assim?

As únicas coisas que caem do céu são: chuva, granizo, avião, bomba e cocô de pombo. Hoje existe um contexto que impõem a necessidade de mexer na estrutura educacional brasileira. Nenhum país atingiu um grau de pleno desenvolvimento sem investir maciçamente em educação. Isso só será garantido com muita mobilização da sociedade civil, união entre os profissionais da educação e com os estudantes.

Que contexto é esse?

A alta tecnologia é o retrato do século XXI. Em qualquer área do nosso cotidiano, da mais simples atividade doméstica ou de lazer até a mais alta atividade produtiva ou governamental, passando pelo exercício heróico da docência e da produção acadêmica, ela esta presente. A palavra chave do nosso tempo é ciência e tecnologia.

Quais as implicações desse novo tempo para educação brasileira?

No meu entender uma inadiável universalização do ensino, da alfabetização ao 3º grau, maior investimento na produção de ciência e tecnologia, a introdução das novas tecnologias nas praticas pedagógicas e retomar o debate sobre a educação em tempo integral.

Quem vai pagar essa conta?

A responsabilidade de financiar a educação é do Estado. Até mesmo as instituições privadas sobrevivem com verba dos cofres públicos. O que precisamos debater é se o orçamento, hoje, destinado para educação é suficiente para dar conta dos novos desafios. No meu entender não.

Por quê?

Universalizar o ensino da alfabetização ao 3º grau implica em cuidar das unidades existentes, construir novas instituições de ensino, de pesquisa, aparelha-las com os mais modernos equipamentos, material didático, bibliotecas, contratar mais pessoal, melhor remunerá-los e garantir formação continuada sem ônus para os próprios. As previsões legais do que deve ser destinado para educação na união, nos estados e municípios, Art. 212 da constituição, se aplicados à risca, hoje são suficientes? Com a descoberta do pré-sal não podemos deixar passar a oportunidade de aumentar os investimentos na educação.


Não seria suficiente um choque de gestão?

Boa pergunta. Hoje existem duas correntes: a privatista e a desenvolvimentista. A privatista defende que dinheiro existe e não devemos aumentar os “gastos”, basta um choque de gestão para por ordem nos trilhos, caso precise de mais o caminho é buscar na “sociedade”, ou seja, na iniciativa privada.

E a desenvolvimentista?

Esta corrente entende que educação é investimento e não gasto. Acredita que para fortalecer a nação é preciso sim gerir bem as finanças publicas, mas também é necessário fortalecer o sistema público de ensino, em todos os níveis. A educação precisa ser vista como parte estruturante do desenvolvimento nacional e não como mercadoria.

E o ensino privado?

É preciso mudar o art. 209 da Constituição Federal. A educação não pode ser de livre iniciativa privada. É preciso mudar para concessão de serviço público. Assim seria possível controlar e cobrar melhores resultados educacionais.

E a qualidade do ensino?


Acredito que a qualidade do ensino pode melhorar muito se observarmos um tripé básico: condições de trabalho adequadas, profissionais com boa formação inicial/continuada e boa remuneração. Outra coisa que pode ajudar e muito é a desvinculação do sistema de avaliação da remuneração profissional.

*Esta entervista foi atualizada.

Mais Educação... É disso que precisamos

Veja algumas de nossas propostas
  • Em defesa do direito a uma educação emancipadora
  • Contra a mercantilização da educação
  • Expansão rumo a universalização da educação publica em todos os níveis
  • Pelo fim do vestibular
  • Valorização dos profissionais da educação
  • Desvinculação da avaliação de desempenho da remuneração dos profissionais
  • Defesa do piso nacional do magistério
  • Criação da data base do magistério
  • Definição de qual índice será usado para o reajuste anual
  • Revisão da LDB – (EJA)
  • Articular as redes de ensino nacionalmente
  • Alterar o artigo 209 da constituição brasileira ( ensino privado )
  • Proibição do capital estrangeiro nas universidades particulares
  • Aumento do percentual de investimento do PIB na educação para 10%
  • Contra a terceirização dos serviços das escolas
  • Democratização da gestão
  • Eleição para dirigentes das instituições educacionais
  • 50% do fundo do pré-sal para educação
  • Reforma universitária
  • Ampliação do acesso ao ensino superior
  • Criação do Fórum Nacional em Defesa da Educação Publica
  • Defesa da reserva de vagas e das ações afirmativas
  • Fim do “SPC” da educação
  • Uma creche por bairro no mínimo
  • Cuidar mais e melhor da saúde do professor

A História de JC Madureira

Nascido em São Cristóvão, carioca da gema, José Carlos Madureira começou sua vida política no Méier, nas manifestações contra o aumento abusivo das mensalidades escolares e não parou mais. Fundou o grêmio estudantil Nelson Mandela em sua escola, atuando na zonal Méier da Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas do Rio (AMES). Ingressou da União da Juventude Socialista (UJS) na luta pela aprovação do voto aos 16 anos e na organização da primeira campanha de alistamento eleitoral em 1988.


Do Governo Collor até o de Fernando Henrique, JC Madureira sempre se posicionou contra as privatizações das estatais brasileiras, defendendo a Petrobrás, Furnas, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Vale, Telebrás entre outras. Já nesta época era contra a introdução das concepções e gestões privatistas na educação pública.

Participou da ECO-92 (conferência internacional do meio ambiente), no Rio de Janeiro, organizando a Tenda da Juventude e as manifestações juvenis mais avançadas naquele momento.

Em 1992, como presidente estadual da UJS, ficou a frente junto com Lindberg Farias, nas mobilizações dos Caras Pintadas pelo Fora Collor. No ano seguinte, já na direção nacional da UJS, organizava as manifestações para defender a instalação da CPI dos Anões do Orçamento e a campanha nacional contra a redução da maior idade penal.

Tornou-se membro do DCE-UFRJ e do conselho universitário em 1998, participando das manifestações em defesa da democracia e da autonomia universitária contra o golpe de FHC e Paulo Renato que não empossou o candidato vencedor da eleição para reitor, Aloísio Teixeira, nomeando em seu lugar o concorrente derrotado nas urnas. Trabalhando sempre em unidade com as diversas correntes de pensamento progressista, ajudou a construir o movimento de ocupação da Reitoria exigindo a saída do interventor.

Logo que se tornou professor de sociologia da rede pública não perdeu tempo e já se apresentou para defender a educação e os profissionais que nela trabalham, onde logo se destacou como liderança do sindicato de profissionais de educação do estado do Rio de Janeiro.

Fundador do sindicato dos sociólogos do estado do Rio de Janeiro, compondo também sua diretoria, participou incansavelmente pela implementação da sociologia e filosofia no ensino médio.

Não vacilou no debate sobre os rumos do movimento sindical brasileiro e participou da fundação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), sendo eleito para executiva estadual do Rio de Janeiro.

Atento aos acontecimentos de sua época, passa a estudar e observar a importância dos meios de comunicação e a necessidade de sua democratização. Com esse espírito foi eleito para diretoria da Tv Comunitária RJ.

Candidato pela primeira vez e de ficha limpa, acredita que o Brasil entrou em um novo ciclo desenvolvimentista e caminha para dar um salto civilizatório. Avalia ser muito importante eleger em 3 de outubro, muitos senadores e deputados progressistas para manter o Brasil no caminho das mudanças. É com esta compreensão que dispôs o seu nome para concorrer a uma vaga de deputado federal pelo PCdoB.

Na sua trajetória não encontramos duvidas, nem vacilação. Escolheu seu lado desde quando freqüentava os bancos escolares. Nele, encontramos firmeza, ousadia, determinação, respeito a diferença, capacidade de diálogo e rumo claro.

sábado, fevereiro 20, 2010

2010 pode ser um ano diferenciado

Em rápidas palavras quero reativar meu blogue, que se encontrava adormecido, comentando 2010.
Um ano que parece ser tranquilo, favas contadas, tudo leva a crer em mais uma conquista para o campo democrático popular nas eleições brasileiras.
Atenção, o jogo só acaba quando termina.
Volto a escrever e disputar idéias. Volto ao bom combate. Volto a trincheira principal deste início de século XXI.
Novos desafios, novos tempos, novas respostas.
Saudações

terça-feira, abril 10, 2007

Maioridade penal aos 16 anos - 1º parte

Em setembro de 1993, publiquei um artigo, para coluna Tema em Debate, do Jornal A Classe Operária, onde abordei a maioridade penal aos 16 anos, sob o titulo: Construir cadeias em vez de escolas? Relendo, depois de quatorze anos, percebo que pouca coisa mudou.
Decidi atualizar o artigo e voltar a publicá-lo, uma vez que o debate voltou à tona com o episódio da morte de João Helio, onde teve a participação de um menor de 18 anos. No decorrer desses anos percebi a crescente ofensiva e a pouca criatividade dos setores mais reacionários, de nossa sociedade, para alterar a lei e um estranho silêncio ou timidez dos setores que pensam o contrario, sem contar também a falta de espaço para o debate.
No bojo da avalanche neoliberal, que continua pretendendo retirar inúmeras conquistas alcançadas em 1988, ressurge uma discussão que interessa diretamente à juventude, mas não só, professores, pais, instituições, etc: a redução da idade, de 18 para 16 anos, para que os jovens possam ser responsabilizados criminalmente. Os mesmos que defenderam e continuam defendendo as reformas, que defenderam e continuam defendendo as privatizações, diga-se de passagem, o discurso deles era privatizar para investir na educação, saúde e segurança, pretendem construir mais cadeias ou novas universidades do crime, em vez de construir escolas, melhorar a educação pública, pagar melhor os profissionais e substituir um sistema educacional falido, e se não bastasse continuam mostrando a mesma sede voraz em aprovar mecanismos de punição para juventude. Esta proposta, baixar a maioridade penal para 16 anos, não é nova e sempre que acontece uma barbaridade envolvendo um menor de idade, é bom que se diga da camada mais pobre da sociedade, como infrator, o estado emocional da sociedade é manipulado em favor desta idéia.
A Constituição de 1988 consagrou o voto facultativo aos 16anos e hoje os setores reacionários usam essa conquista como argumento para justificar a surrada proposta punitiva. Usam de um silogismo rasteiro e medíocre: se podem votar, podem ser presos.
Primeiro é preciso lembrar que o voto é facultativo, não são todos os jovens com 16 anos que votam, somente aos 18 anos que o voto passa a ser obrigatório. O voto opcional aos 16 anos, foi uma vitória da juventude brasileira que, historicamente, tem sido uma força importante nos grandes movimentos democráticos ocorridos no Brasil. Foi assim na campanha em defesa do monopólio estatal do petróleo, na luta contra a ditadura, na campanha pelo impeachment de Collor, nas lutas que acontecem cotidianamente em defesa da democracia e de um país decente. Outro aspecto importantíssimo é a dura realidade de jovens que aos 16 anos já estão no mercado de trabalho, formal ou informal, sustentando famílias, sem acesso a diretos básicos, em sua grande maioria, oriundos das camadas populares da sociedade brasileira. Nada mais justo, portanto, que essa juventude tenha o direito de participar da vida política institucional do país. Isso não pode ser servir de argumento para que as forças reacionárias, na sua tentativa primeira de restringir o espaço democrático e agora com sua sanha punitiva, utilize o voto aos 16 anos como um dos argumentos para defender a responsabilidade criminal aos menores de 18 anos.
O aumento da criminalidade é resultado da falta de perspectiva de inclusão social que é garantida pela inserção formal no mercado de trabalho aliado a um rico processo educacional. Na ausência destes, o que prevalece é a lei da selva, é a luta pela sobrevivência, é no abandono promovido pelo poder publico e na escolha secular de um país para alguns que reside a criminalidade. É claro que existirá o argumento dos jovens de classe média, média alta e alta que optam pela vida criminosa. Ora, estes também são resultado do mesmo sistema social por outra vertente, se de um lado é a ausência do poder publico que gera a falta de perspectiva, do outro lado as instituições sociais, que formam o cidadão, estão falhando. Não podemos compactuar em momento algum com o argumento da índole, não existe bondade ou maldade por natureza, isso seria enganar a população, manter na ignorância, manipular a boa fé de quem esta indignado com a situação de insegurança.
O aumento da criminalidade, que é maior quanto maior for á crise social, que cresce proporcionalmente ao crescimento da miséria e a conseqüente falta de perspectiva, gera violência. A ausência do poder público, com ação preventiva, e a sistemática divulgação pelos meios de comunicação de atos violentos, aumenta a percepção de insegurança na sociedade. Este quadro não se resolve com repressão, resposta sempre apresentada à sociedade quando acontece algum fato que comove a opinião publica. É preciso deixar muito claro que a concepção punitiva, fato e punição, não é o melhor instrumento pedagógico, mesmo assim vem sendo usado como bandeira para combater a impunidade; na verdade a única resposta dada a sociedade, em qualquer ato criminoso, seja de adulto ou de menores infratores, é o aumento da pena. Se esta lógica perversa não for rompida, não será muito difícil para atingirmos um grau de punição, no mínimo, esquizofrênico, tanto para adultos como para jovens; hoje 16 anos, amanhã 15, depois 13, depois 11, no caso dos adultos só falta a prisão perpétua ou a pena de morte.
Os legítimos representantes da parcela reacionária na elite brasileira afirmam que inimputabilidade aos menores de 18 anos é o mesmo que impunidade. Outra distorção. Ao cometer uma infração, o menor de 18 anos pode ser submetido a julgamento, de acordo com o Estatuto da Infância e do Adolescente, dentro do devido processo legal e sofrer as penalidades, em função de sua infração, que inclui também a possibilidade da pena restritiva de liberdade, ou seja, ser preso. Diferente do pensamento exclusivamente punitivo, o processo legal e o local para cumprir a penalidade aplicada ao menor infrator são diferentes do adulto porque o adolescente é uma pessoa em processo de amadurecimento físico, intelectual, psicológico, moral e emocional. A inimputabilidade apenas afasta a possibilidade de ir para cadeia comum ou penitenciária. Será que alguém acredita na possibilidade de um adolescente que cometeu uma infração se recuperar dentro de um superlotado presídio brasileiro? É essa a educação que parcela da elite brasileira quer dar para os jovens, já que fizeram como Pilatos, lavaram as mãos, com relação a educação, a alimentação, a saúde, ao lazer e qualquer outra necessidade básica, capaz de possibilitar o desenvolvimento de um cidadão digno? É fácil manipular a opinião pública, contra ou a favor desta ou daquela proposta, no calor dos acontecimentos, explorar o estado emocional das vitimas para evitar o debate mais profundo e apenas apresentar como saída ou solução punição, mais punição e mais punição; onde vamos parar?
Outro grande equivoco é reduzir este debate à alegação de que o jovem sabe o que é certo ou errado, como se a mesma moral que tem os filhos da classe media pudesse ser exigida de meninos e meninas que nascem nas ruas, que não tem o que comer ou onde dormir. Jovens que acordam e dormem com rajadas de tiro, explosões, violência, “toques de recolher”, ou jovens que nem sabem se vão acordar no dia seguinte.
Algumas perguntas ficam no ar: O jovem abastado, rico, filho de juiz, empresário, políticos entre outros, serão punidos ao cometer uma infração aos 16 anos, irão para cadeia comum ou presídio? Quem arma o jovem menor de idade, o traficante? Quem bota a arma na mão do traficante, o usuário? Por onde entra a droga que é consumida pelos jovens? Quem corta as verbas da educação?Da saúde? Da cultura? Quem não cria postos de trabalho para juventude, só o tráfico?