sábado, outubro 31, 2015
domingo, setembro 06, 2015
Manifesto ao Povo Brasileiro
Manifesto ao Povo Brasileiro
Vivemos um momento de crise. Crise internacional do capitalismo, crise econômica e política em vários países vizinhos e no Brasil.
Correm grave perigo os direitos e as aspirações fundamentais do povo brasileiro: ao emprego, ao bem-estar social, às liberdades democráticas, à soberania nacional, à integração com os países vizinhos.
Para defender nossos direitos e aspirações, para defender a democracia e outra política econômica, para defender a soberania nacional e a integraçao regional, para defender transformações profundas em nosso país, milhares de brasileiros e brasileiras de todas as regiões do país, cidadãos e cidadãs, artistas, intelectuais, religiosos, parlamentares e governantes, assim como integrantes e representantes de movimentos populares, sindicais, partidos políticos e pastorais, indígenas e quilombolas, negros e negras, LGBT, mulheres e juventude, realizamos esta Conferência Nacional onde decidimos criar a Frente Brasil Popular.
Nossos objetivos são:
1- Defender os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras: melhorias das condições de vida, emprego, salário, aposentadoria, moradia, saúde, educação, terra e transporte público!
Lutamos contra o atual ajuste fiscal e contra todas as medidas que retiram direitos, eliminam empregos, reduzem salários, elevam tarifas de serviços públicos, estimulam a terceirização, ao tempo em que protegem a minoria rica. Defendemos uma política econômica voltada para o desenvolvimento com distribuição de renda.
Lutamos contra a especulação financeira nacional e internacional, que transfere para uma minoria, por vias legais ou ilegais, através da corrupção e de contas bancárias secretas, parte importante da riqueza produzida pelo povo brasileiro!
Lutamos por uma reforma tributária que – por meio de medidas como o imposto sobre grandes fortunas e a auditoria da dívida – faça os ricos pagarem a conta da crise.
2.Ampliar a democracia e a participação popular nas decisões sobre o presente e o futuro de nosso país.
Lutamos contra o golpismo – parlamentar, judiciário ou midiático – que ameaça a vontade expressa pelo povo nas urnas, as liberdades democráticas e o caráter laico do Estado!
Lutamos por uma reforma política soberana e popular, que fortaleça a participação direta do povo nas decisões políticas do País, garanta a devida representação dos trabalhadores, negros e mulheres, impeça o sequestro da democracia pelo dinheiro e proíba o financiamento empresarial das campanhas eleitorais!
Lutamos contra a criminalização dos movimentos sociais e da política, contra a corrupção e a partidarização da justiça, contra a redução da maioridade penal e o extermínio da juventude pobre e negra das periferias, contra o machismo e a homofobia, contra o racismo e a violência que mata indígenas e quilombolas!
3. Promover reformas estruturais para construir um projeto nacional de desenvolvimento democrático e popular: reforma do Estado, reforma política, reforma do poder judiciário, reforma na segurança pública com desmilitarização das Polícias Militares, democratização dos meios de comunicação e da cultura, reforma urbana, reforma agrária, consolidação e universalização do Sistema Únnico de Saúde, reforma educacional e reforma tributária!
Lutamos pela democratização dos meios de comunicação de massa e pelo fortalecimento das mídias populares, para que o povo tenha acesso a uma informação plural, tal como está exposto na Lei da Mídia Democrática.
4.Defender a soberania nacional: o povo é o dono das riquezas naturais, que não podem ser entregues às transnacionais e seus sócios!
Lutamos em defesa da soberania energética, a começar pelo Pré-Sal, a Lei da Partilha, a Petrobrás, o desenvolvimento de ciência e tecnologia, engenharia e de uma política de industrialização nacional!
Lutamos em defesa da soberania alimentar e em defesa do meio ambiente, sem o qual não haverá futuro.
Lutamos contra as forças do capital internacional, que tentam impedir e reverter a integração latino-americana.
Convidamos a todas e a todos que se identificam com esta plataforma a somar-se na construção da Frente Brasil Popular.
O povo brasileiro sabe que é fácil sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho. Mas sabe, também, que sonho que se sonha junto pode se tornar realidade.
Vamos lutar juntos por nossos sonhos!
Viva a Frente Brasil Popular!
Viva o povo brasieiro!
Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, Setembro de 2015
terça-feira, junho 16, 2015
quinta-feira, maio 14, 2015
sexta-feira, abril 03, 2015
SOCIÓLOGO AGORA TEM PISO ESTADUAL
LEI Nº 6983 DE 31 DE MARÇO DE 2015/RJ
VIII - R$ 2.432,72 (dois mil, quatrocentos e trinta e dois reais e setenta e dois centavos) - Para administradores de empresas; arquivistas de nível superior; advogados; contadores; psicólogos; V E T A D O ; fonoaudiólogos; fisioterapeutas; terapeutas ocupacionais; arquitetos; engenheiros; estatísticos; profissionais de educação física; sociólogo; assistentes sociais; biólogos; nutricionistas; biomédicos; bibliotecários de nível superior; farmacêuticos; enfermeiros; bombeiro civil mestre, formado em engenharia com especialização em prevenção e combate a incêndio, turismólogo, secretários executivos bilíngües e empregados em empresas prestadoras de serviços de brigada de incêndio (nível superior).
OS SOCIÓLOGOS FORAM INCLUÍDOS NA LEI DO PISO ESTADUAL POR EMENDA PROPOSTA PELA DEPUTADA ENFERMEIRA REJANE – PCdoB
sexta-feira, março 13, 2015
quarta-feira, março 11, 2015
sábado, janeiro 10, 2015
quarta-feira, janeiro 07, 2015
segunda-feira, janeiro 05, 2015
Qual a posição do movimento popular organizado ?????
MP afirma que aumento na passagem de ônibus é inconstitucional
Órgão vai instaurar inquérito para tentar deixar tarifa em R$ 3,20. Valor de R$ 3,40 será cobrado a partir de sábado
O DIA
Rio - O Ministério Público do Estado do Rio, por meio da promotoria do Direito do Consumidor, afirmou que o reajuste na tarifa do transporte público intermunicipal é considerado inconstitucional. De acordo com o promotor Rodrigo Terra, um inquérito civil público será instaurado na próxima segunda-feira para investigar os detalhes do aumento para tentar deixar o preço da passagem em R$ 3,20. O valor é obtido, conforme Terra, somente pelo aumento da passagem calculado pelos termos do contrato.
As informações são do RJTV . O reajuste de R$ 3,40 foi anunciado pelo prefeito Eduardo Paes no último dia 30 e vale a partir deste sábado. Segundo Terra, a prefeitura cometeu uma irregularidade ao incluir no cálculo valores adicionais ao reajuste previsto em contrato, como pagamento da instalação de ar-condicionados e de gratuidades. A prática, segundo ele abre "um precedente perigoso e retoma uma velha prática em que a população fica vítima reajustes sem segurança contratual."
Em nota, a Prefeiturra informou que não vai comentar a iniciativa do MP. A Rio Ônibus afirma que que o reajuste anual da tarifa é previsto no contrato de concessão celebrado entre Prefeitura e os consórcios Internorte, Intersul, Santa Cruz e Transcarioca, sendo o valor estipulado pelo Município.
Fonte Jornal O Dia
As informações são do RJTV . O reajuste de R$ 3,40 foi anunciado pelo prefeito Eduardo Paes no último dia 30 e vale a partir deste sábado. Segundo Terra, a prefeitura cometeu uma irregularidade ao incluir no cálculo valores adicionais ao reajuste previsto em contrato, como pagamento da instalação de ar-condicionados e de gratuidades. A prática, segundo ele abre "um precedente perigoso e retoma uma velha prática em que a população fica vítima reajustes sem segurança contratual."
Em nota, a Prefeiturra informou que não vai comentar a iniciativa do MP. A Rio Ônibus afirma que que o reajuste anual da tarifa é previsto no contrato de concessão celebrado entre Prefeitura e os consórcios Internorte, Intersul, Santa Cruz e Transcarioca, sendo o valor estipulado pelo Município.
Fonte Jornal O Dia
sexta-feira, janeiro 02, 2015
quinta-feira, novembro 20, 2014
Programa Cabeça Pra Cima Igreja, Estado e Sociedade 4
Programa Cabeça Pra Cima Igreja, Estado e Sociedade 3
Programa Cabeça Pra Cima Igreja, Estado e Sociedade 2
Programa Cabeça Pra Cima Igreja, Estado e Sociedade.
sexta-feira, outubro 03, 2014
segunda-feira, agosto 25, 2014
QUAL O SENTIDO da MUDANÇA? 2°parte
No início de mês de agosto escrevi
a primeira parte deste artigo, QUAL o
SENTIDO da MUDANÇA? No intervalo entre o anterior e este, dois fatos
novos ocorreram.
O primeiro, imponderável, foi o
falecimento de Eduardo Campos e a obvia substituição por Marina Silva para
disputa presidencial. A consequência foi à rápida ascensão do PSB, que estava
na terceira posição, distante do PSDB (segundo colocado), para empate técnico,
provocando uma mudança no estável quadro de polarização PT x PSDB.
O segundo fato, foi o início da
campanha na televisão e no rádio. As consequências ainda não foram divulgadas,
pelo menos até a publicação deste artigo. Antes da morte de Eduardo a
expectativa era que o programa tv aumentasse a vantagem de Dilma para Aécio e a
as projeções para os outros candidatos, somadas, não garantissem o segundo turno.
Com a alteração abrupta do quadro, todos aguardam as próximas pesquisas para
saber se o segundo turno é certo e se alterou a colocação entre Marina e Aécio.
Enquanto as pesquisas não são
publicadas para confirmar ou apontar novas tendências, retomemos o debate sobre
o tema central de 2013 até os dias atuais, o sentido da mudança.
Nunca antes na história das
eleições da república brasileira a palavra MUDANÇA teve tamanha
importância e densidade como nestas eleições de 2014. Vejamos:
Em junho de 2013, milhões foram
às ruas externalizar suas indignações, ainda que de forma difusa e horizontal.
Até hoje este acontecimento provoca diferentes reações e análises sobre suas
causas e conseqüências, mas já é possível indicar mudanças
significativas que se expressaram nas ferramentas utilizadas para mobilizar as
manifestações, na condução dos atos, nas organizações que dirigiram os atos,
nos novos grupos que surgiram nas manifestações, no uso deliberado da violência
por determinados grupos do movimento e a pergunta que não quer calar: qual a
capacidade desse movimento promover mudanças nas eleições de
2014?
Antes se faz necessário
estabelecer um diferencial com as opiniões e ou elaborações sobre as motivações
das mobilizações de 2013. Não pactuo com as teses conspiratórias, muito menos as
de que o conteúdo das passeatas era contra a Dilma. Uma coisa é o que
representa o povo na rua, isto será desenvolvido na continuidade deste artigo,
outra coisa é a ação dos meios de comunicação.
Não é novidade para ninguém que
os grandes meios de comunicação de massa cumprem papel na luta política e ideológica
e constituem uma força própria no jogo de poder. As perguntas a serem respondidas
sempre serão: a serviço de quem, do que e de qual projeto?
Em nosso país é inequívoco o lado
que os meios de comunicação assumiram nos últimos 12 anos, assim como, no último
ano se colocou como o porta voz das mudanças “necessárias”.
Para isso não mediu esforços no desgaste da imagem do governo LULA e do governo
Dilma, com a finalidade de derrotar a mesma e eleger alguém alinhado(a) a sua
ideologia política, econômica e social.
Afim de ajudar nesse objetivo,
apoiaram, disputaram ideologicamente as manifestações e de forma indireta
incentivaram o uso da violência, buscando criar um ambiente de instabilidade
política para desgastar Dilma e seus aliados. Caso exista dúvida sobre isso
basta comparar a cobertura e as edições sobre as manifestações em São Paulo e no Rio de
Janeiro, a diferença era gritante. Só depois da morte de um profissional da
imprensa que os grandes meios de comunicação de massa mudaram sua posição no
que diz respeito ao uso da violência por manifestantes. Continua...
terça-feira, agosto 19, 2014
Qual sentido da mudança?
Dentro de uma semana começa a
campanha eleitoral na televisão e no radio. Para muitos essa fase da campanha é
a decisiva, consolida ou muda os rumos e as tendências eleitorais.
Participo de campanhas eleitorais
desde 1989, época da Frente Brasil Popular, e observei neste período como as
eleições em nosso país foram, paulatinamente, assumindo as características das
campanhas eleitorais norte americanas, ou seja, o centro do debate é a questão
da moralidade, os marketeiros assumiram o controle, os meios de comunicação de
massa funcionam como autênticos partidos, crescente insatisfação do eleitorado
com índices de abstenção ou voto nulo aumentando de pleito em pleito e pouca
nitidez política e ideológica dos partidos.
Participei também de todos os
grandes movimentos de massa de 1989 até a atualidade e neles sempre estiveram
presentes as idéias de espontaneidade, sentimentos ante partidos, entre outras
correntes de pensamento. O Fora Collor foi, talvez, o prenuncio de que alguma
coisa precisava ser mexida. Além dos meios de comunicação disputar palmo a
palmo, ideologicamente, os rumos do movimento, já era latente nesta época uma
insatisfação com o modo operante do movimento social organizado. Naquele tempo,
por mais que existissem divergências, a unidade do movimento era construída na
política, e, além disso, as correntes de pensamento hegemônicas no movimento
nunca perdiam um debate para turma da negação da política. Hoje o principal
argumento utilizado é a truculência, a intimidação, a exclusão do diferente até
mesmo a violência.
Entre 1989 e 2014, entramos na
lógica neoliberal e tentamos a muito custo superar. O período Collor introduziu
o Brasil na era das privatizações, Itamar deu um freio de arrumação da casa com
Plano Real, FHC sacramentou a aplicação do receituário de Washington. Lula em
seu primeiro mandato reordenou a casa, no segundo ampliou conquistas sociais e
investiu no mercado interno. Dilma conduziu o PAC, realizou a Copa do Mundo,
decidiu sobre a aplicação dos recursos do Pré sal e tantos outros avanços importantes.
Em 2013, apesar de avançarmos
muito em 12 anos de governo progressista, milhões foram às ruas demonstrar sua
insatisfação. A pergunta é: com o que?
A resposta de alguns foi
caracterizar de “coxinhas” ou afirmar que a classe média tradicional estava na
rua para derrubar Governo Dilma e que isso fazia parte de uma conspiração
internacional. Não compactuo com essa tese. Acredito ser mais rico para o
debate fugir dos estereótipos, ainda mais quando o comando das manifestações
trazia uma “mudança”. Essa palavra esta sendo usada pela direita e pela
esquerda no processo eleitoral de 2014, é a palavra da moda para tentar
interpretar as mobilizações de 2013.
A direita diz que mudança é
derrotar o PT, a esquerda diz que mudança é avançar mais.
Afinal qual o sentido da mudança?
Quem souber responder com mais clareza conquistará o eleitor. Continua...
domingo, junho 22, 2014
GREVE dos PROFISSIONAIS da EDUCAÇÃO RJ
O MOVIMENTO PRÓ CNTE E A GREVE DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO: UM PRIMEIRO BALANÇO
Este texto apresenta algumas ideias defendidas pelo movimento Pró CNTE durante a greve dos profissionais da educação das redes municipal e estadual do Rio de Janeiro. Uma greve muito dura diante da intransigência dos governos, mas também marcada por um comportamento intolerante e sectário de grupos e indivíduos que não contribui para a aproximação do conjunto da categoria do nosso sindicato. Por avaliar que as divergências, mais do que saudáveis, são fundamentais para a construção de um movimento sindical democrático, consciente, independente e de luta, expomos aqui a nossa visão política sobre os passos dados até o momento.
A DEFLAGRAÇÃO DA GREVE NAS REDES MUNICIPAL E ESTADUAL
Desde a realização do primeiro encontro no ano de 2014, defendemos a separação das assembleias e da decisão sobre a deflagração das greves nas redes municipal e estadual. Em nossa avaliação, e com muitas dúvidas, o movimento no município não seria tão forte quanto o do ano passado, e, certamente, o estado não possuía nenhuma condição de aderir a um movimento grevista.
Acreditamos em lutas e atividades unificadas, mas defendemos que as assembleias se realizem separadamente, em cada rede de ensino, resguardando as especificidades e autonomia das mesmas, pois os ritmos são distintos, assim como a situação específica da sua pauta. Um exemplo disso foi a não participação do SEPE nos grupos de trabalho do estado devido à presença da UPPE neste fórum, para nós, mais um dos equívocos aprovados em assembleia, com o apoio da direção central.
O STF E A JUDICIALIZAÇÃO DA GREVE
O sindicato errou ao não participar da audiência convocada no STF pelo ministro Fux. Esta postura equivocada, no entanto, deve ser compartilhada pela direção do sindicato – com medo de sofrer mais um desgaste – e pelo comando de greve – argumentando que esta ação substituiria a luta. O resultado foi desastroso: deixou o movimento da educação numa situação delicada, dando armas necessárias para o ataque governamental com o respaldo da justiça.
Esta polêmica esteve presente durante toda a greve: qual é o papel do DJ na luta dos profissionais da educação? A ação do jurídico não substitui a nossa mobilização, mas uma boa atuação do mesmo pode nos fortalecer. E muito. A greve do ano passado foi um exemplo claro, realizada, logo de início, com a proteção de uma medida cautelar que impedia, preventivamente, cortes de ponto. Com esta convicção, propusemos, nas várias assembleias que antecederam a greve, o acionamento do departamento jurídico do sindicato para que ele cumprisse a sua função: o questionamento da legalidade de alguns pontos do plano de carreira da rede municipal (aprovado desde o ano de 2013) e a medida cautelar preventiva.
Todavia, a maioria da direção calou-se. Até hoje, não anunciou para os profissionais da educação que não há ação questionando a legalidade do plano. Além disso, os setores extremistas defenderam, e foram vitoriosos com o apoio da categoria em assembleia, a ideia de que “não poderíamos judicializar a greve”, pois o fundamental eram as “ações diretas”.
Dúvidas pairavam no ar quanto ao comparecimento do SEPE na reunião convocada pela desembargadora Leila Mariano. Mas, naquela altura do campeonato, sem qualquer negociação e com o movimento fazendo água no estado, a categoria não titubeou e aprovou a ida ao tribunal.
OS EIXOS DA GREVE E O “NÃO VAI TER COPA”: OUTRA POLÊMICA
Nas assembleias travamos uma polêmica que, aos poucos, se tornou clara para os profissionais da educação: os eixos de nossa greve deveriam se concentrar em nossa pauta de reivindicações e não na adesão ao movimento “não vai ter copa”. Contrapondo-se à lógica, até então predominante, que priorizava a realização de atos que chamassem a atenção da mídia internacional e nacional e dos turistas que estavam no Brasil para assistirem a copa do mundo, defendemos a centralidade da “negociação já” e da construção de ações que efetivamente pressionassem os governos municipal e estadual.
Embora o slogan “Não vai ter copa” jamais tenha sido aprovado, ele ecoava como uma das principais palavras-de-ordem das passeatas, definindo, inclusive, a escolha dos atos que seriam realizados. O confronto revelou-se claro quando os setores mais extremistas do comando de greve propuseram uma passeata até o Maracanã. Não havia mais dúvidas. Diante de uma greve que já fazia água, eles foram derrotados pela categoria que já vislumbrava o impasse e o endurecimento dos governos, e desejava concentrar-se na luta concreta de suas reivindicações. Embora fosse uma sexta-feira, representantes da categoria conseguiram ser recebidos na prefeitura, e arrancaram através desta mobilização a última reunião realizada antes do recesso.
Para nós, a opção por este eixo subordinava a nossa greve a uma lógica equivocada de partidarização e de confronto com a maioria da população, isolando-nos da sociedade e dos próprios profissionais da educação. Nossos colegas também têm críticas aos excessivos gastos efetivados para a realização da copa do mundo, à diminuição dos investimentos da prefeitura e do governo do estado nas áreas de educação e de saúde e à grande intromissão da FIFA na condução do próprio evento. Mas não queriam fazer uma greve contra a copa do mundo.
OMISSÃO DE ALGUNS E CONIVÊNCIA DE OUTROS
Em diversas assembleias a categoria sentiu falta da presença e do posicionamento de diversas forças políticas do sindicato. Assim, tornou-se nítida a clara OMISSÃO da maioria da direção do SEPE (PSTU – Psol) que não apresentara política para o movimento e, em alguns casos, sequer se inscreveu para travar o debate de ideias.
Por outro lado, mais do que omissão, lideranças desta direção foram CONIVENTES com as ações defendidas por segmentos extremistas, embarcando na dinâmica conferida pelo comando de greve numa postura oportunista de ganhar novos militantes desta vanguarda para as suas correntes.
É preciso fazer justiça e assinalar que alguns setores do sindicato (como a regional VII e o núcleo de Duque de Caxias, por exemplo), desde o início do movimento se posicionaram criticamente à condução desta greve, comprando o barulho conosco em diversos momentos da luta.
UMA GREVE SE FAZ SEM ÍNDICES E SOMENTE COM A VANGUARDA?
Disseminou-se entre os ativistas do SEPE a ideia de que a atual greve era qualitativamente superior ao grande movimento paredista da rede municipal do RJ em 2013. Muitos defendem a ideia de que a greve de 2014 é mais objetiva, e que a mesma não ficava de “pires na mão”, mendigando audiências. Por fim, se uma greve enorme “não dera em nada” (mais uma polêmica a ser travada quanto aos ganhos do movimento do ano passado), uma greve pequenina poderia arrancar vitórias.
Desde o início os índices foram simplesmente negligenciados. Visão esta compartilhada pela maioria do comando de greve e da direção do SEPE. No início, as debilidades foram imputadas à greve dos rodoviários. Depois, quem apresentava números de paralisação tornava-se um divisionista do movimento. E as assembleias se repetiam: em diversos núcleos, reuniões de cinco, seis, dez profissionais que decidiam pela continuidade da paralisação. Uma máxima se consolidou nesta greve: os índices não importavam. E fizemos pela primeira vez uma luta na qual núcleos e regionais em sua esmagadora maioria não apresentaram a porcentagem de grevistas nas suas regiões.
Outra polêmica está instalada no interior do nosso movimento, e ela precisa ser discutida com profundidade pelo sindicato. As greves de vanguarda foram questionadas no movimento dos trabalhadores por diversos revolucionários. Afinal, quem é esta vanguarda, senão aqueles professores e funcionários que, como base ou direção, se tornam lideranças em suas escolas, participam das atividades e sustentam a luta política? A greve feita apenas pela vanguarda, apesar de valorosa, leva ao descolamento da mesma do restante da categoria. Fica longe dos anseios dos profissionais da educação e não consegue mais representá-la. Por isso, uma boa greve é sempre uma ação de massas, que envolva boa parte da categoria, e que traga para o movimento o conjunto das contradições de um grupo tão heterogêneo quanto o nosso.
OS RUMOS DA GREVE NO RECESSO DE JUNHO
A Assembleia do dia 05 de junho revelou-se um golpe. A direção do SEPE central e o comando de greve convocaram o encontro para a ABI, no centro da cidade, cientes de que o local não comportaria o contingente de profissionais da educação paralisados, apesar do esvaziamento da mesma. Aquele era o momento que antecedia o recesso da copa do mundo, e a categoria, já observando o enfraquecimento da greve, pretendia fazer uma discussão mais aprofundada sobre os rumos do movimento. Os profissionais da educação na ABI se surpreenderam com o fato consumado: realizar uma assembleia em local aberto – o pátio do MEC – com um carro de som de passeata de 100 pessoas!
Perplexos, diversos professores e funcionários perceberam definitivamente que a greve estava sem rumo e que os métodos utilizados ameaçavam a nossa unidade. Como realizar uma boa discussão numa assembleia dispersa, na qual as pessoas sequer se ouviam? A categoria também vinha denunciando crescentemente as posturas de intimidação empregadas por colegas de profissão para acuarem aqueles que estavam contrários à paralisação, ou que simplesmente possuíam DÚVIDAS ou OPINIÕES DIFERENTES quanto aos rumos da greve: diante de xingamentos, vaias e patrulhamento de posições muitos preferiram não mais participar. O resultado desta assembleia foi o acirramento da desconfiança e o retorno ao trabalho de muitos ativistas históricos do nosso sindicato, que optaram por se retirar do movimento.
A aprovação de uma nova assembleia no dia 13 de junho colocou a todos em greve no recesso, selando a vitória dos setores extremistas. Mais uma vez a maioria da direção do SEPE não dirigiu nada. Foi conivente, mesmo tendo ciência da gravidade da nossa situação. Assim, preferiram se calar ou votar junto com o comando de greve. Em nossas falas de avaliação, defendemos a suspensão da greve avaliando que a continuidade da mesma durante o recesso só nos enfraqueceria, e abriria mais uma porta para o ataque do governo, cortando o ponto com uma reação menor.
Na assembleia do dia 13 de junho, a situação se agravou. O número de profissionais que participaram da assembleia unificada não chegava a 800. Havia a presença de muitas pessoas claramente “de fora da categoria”. A mudança de postura de diversos setores do SEPE quanto à continuidade da greve acirrou o debate que, mesmo assim, sofrera uma nova derrota, deliberando por um novo encontro somente no dia 03 de julho, no retorno das aulas da rede municipal RJ.
Todas as ideias aqui apresentadas foram defendidas nos diversos fóruns da categoria. O Movimento PRÓ CNTE comportou-se de forma transparente no transcorrer desta greve. Fomos claros, expusemos as nossas posições e divergências. Apesar das atitudes sectárias, dos achincalhes e até humilhações, o nosso movimento sempre manteve o seu compromisso de luta com a categoria, percorrendo escolas para fortalecer a greve e subordinar-se às decisões das assembleias.
Estamos preocupados com os rumos do movimento dos profissionais da educação nos últimos anos. Esta greve poderia conquistar toda a sua pauta de reivindicações, mas ela já nasceu derrotada: a intolerância e o sectarismo derrotaram a nossa mobilização. Uma greve na qual a posição divergente não é tolerada, na qual muitos profissionais da educação se sentem coagidos, intimidados e que tem medo dos próprios companheiros de profissão e de luta. Na qual o facebook vira um espaço de humilhação e o patrulhamento ideológico permite a exposição gratuita de pessoas. Uma greve na qual profissionais votam pela continuidade da mesma sem estar em greve, não se comprometendo com a decisão coletiva.
Esta greve derrota a luta dos trabalhadores que devem se pautar por um outro tipo de atitude: coletiva, solidária, tolerante e respeitosa com a divergência. O comportamento de diversos professores e funcionários nesta greve (já iniciada na anterior) não tem nada de revolucionário. Assim, o movimento dos trabalhadores deve repudiar qualquer tipo de prática autoritária, sectária, de um heroísmo individualista que já foi caldo para o surgimento dos fascismos. Aqueles que são omissos ou coniventes com estas posturas também contribuem para levar o movimento para o abismo e para a perda a médio prazo de uma nova geração, lutadora e questionadora, que surgiu no movimento da educação.
O movimento PRÓ CNTE defende:
SUSPENSÃO IMEDIATA DA GREVE com a retomada do ESTADO DE GREVE, e a convocação de assembleias separadas das redes estadual e municipal do RJ após o recesso;
Uma ação jurídica RÁPIDA do sindicato na defesa dos profissionais que já estão sob inquérito;
O pagamento pelo SEPE do salário dos profissionais da educação que se encontram com o ponto cortado e o contracheque zerado devido à greve de 2014;
Dirigir-se às bancadas legislativas na ALERJ e na Câmara dos vereadores com o intuito de reverter as punições impostas pelos governos estadual e municipal;
Solicitar formalmente o APOIO da única entidade nacional dos profissionais da educação básica e pública do Brasil, a CNTE, visando a reabertura de negociações com os governos;
Aprovar, juntamente com o comando de greve, a convocação de uma ASSEMBLEIA EXTRAORDINÁRIA da categoria, pois o fato novo são os inquéritos que crescem em número nas redes municipal e estadual;
Efetivar o credenciamento dos profissionais da educação para participar das assembleias.
MOVIMENTO PRÓ CNTE
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